Carona Religiosa!
Postado: 07 de julho de 2010
Visitantes: 392 Categoria: Causos
De Curiúva a Curitiba se benzendo
Por volta de 1985, estava eu retornando de Curiúva, quando passei em
casa de Tia Lili, e lá encontrei a Laura, sua filha, que fazia anos que não a via.
Após a conversa animada, a Maria da Luz estava fazendo pastel, Elza
depenando um frango e a Tia Lili, nessa ocosião já não enxergando, "raiando"
com o Lineu que estava me fazendo perguntas absurdas. "Deixe o Mario
sossegado Lineu, faz tanto tempo que ele não vem aqui e você fica
importunando com perguntas que ele nem sabe responder, como ele pode ter
visto o Nhô Franco, se ele já morreu faz tanto tempo, pare um pouco
Lineu", disse Tia Lili. Maria da Luz, disse "Mãe, o Mário é dos nossos,
nem liga pra as nossa bobagens".
Enfim, quando estava me despedindo, Laura
perguntou se eu podia dar-lhe uma carona para Curitiba. De imediato pegamos sua mala,
sacolas cheia de bugigangas e as coloquei no carro. E lá,
quando estávamos ali no Alecrim, Laura começou a se benzer. Eu
perguntei "Por que está se benzendo, está com medo, estou correndo
muito?" Ela, "não Mário, é que passamos por uma igreja aqui no Alecrim".
E
cada Igreja que passávamos Laura fazia o sinal da cruz. Quando
estávamos nos campos da Ventania, eu comecei a me benzer e Laura
perguntou "ué, tá se benzendo por quê?. Eu disse "lá embaixo tem uma capelinha". Ela imediatamente também se benzeu e aí fomos nos benzendo, cada um
mais que o outro. Quando passamos em Castro, ali foi uma loucura, porque
eu fiz o sinal da cruz umas vinte vezes e a Laura me acompanhava. Quando passamos em P. Grossa, ali então foi um Deus nos acuda, cada um
fazia o sinal da cruz mais que o outro. Até que ela não aguentou e me
perguntou "Mário, não sabia que você é tão católico". Eu respondi "pois é
Laura, há tantos que nós não nos vemos que você nem sabe da minha vida. Eu
estive estudando para padre e deixei a batina no dia de rezar a minha
primeira missa". Ela ficou na dúvida, afinal nunca tinha ouvido falar
uma coisa dessas. Mas, fazer o que, então vamos continuar a nos benzer
e assim fomos quando estavamos descendo a serra de São Luiz do Purunã, ali existem várias cruzes, foi uma coisa de louco o que nos benzemos,
quem passava por nós e via deveriam achar que éramos loucos de atirar
pedra. Quando a deixei em sua casa, lá próximo ao Campus da Federal, nos
despedimos alegremente e aí eu contei a verdade a ela que não havia
estudado para padre coisa nenhuma e que fiz aquilo para a viagem ficar
mais alegre. Ela deu boas gargalhadas e disse "eu sabia que era
mentira, porque como diz a Amanda, você é muito pilantra". Jamais vou
esquecer dessa viagem porque foi muito divertida e demos boas risadas.
Laura era muito espirituosa e uma pessoa muito feliz. De tudo achava a
maior graça do mundo.
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