e um dia foi Caetê... hoje é Curiúva na internet!
Melhor Visualizado em: Firefox
Redescubra a web

No ar desde 24/04/2001

HOSTNP

O telegrama de João Desidério

Postado: 29 de junho de 2010
Visitantes: 252 Categoria: Causos


O Rio Tibagi era cheio de diamantes

Tibagi estava na época áurea dos diamantes e, para que todos possam entender, vou historear o que se passava em Tibagi naqueles anos de vacas magras dos anos de 1920 a 1940. Foi nessa época que iniciou uma migração de muitas famílias oriundas da Bahia para Tibagi. Levados que eram pela fama que corria em todo o Brasil que o rio Tibagi era o rio mais rico do mundo em diamante. E que diamante era achado em cascalho às margens do rio. Até certo ponto isso era verdade. Com essas notícias e como o Brasil vivia crise sem igual, porque não havia nada no País a não ser a cana de açúcar e os cafezais de Minas, São Paulo e iniciando no Paraná. E como ganho fácil sempre atrai os gananciosos, Tibagi de repente se viu inundada por aquela leva imensa de baianos, que ali se radicaram, alguns se tornaram políticos, outros comerciantes e alguns ficaram somente no garimpo de diamante.

Mas, de repente rareou no rico rio Tibagi a famosa pedra, e alguns baianos começaram a deixar a cidade indo a outros recantos do imenso território brasileiro em busca de riqueza. Havia um funcionário dos Correios e Telégrafos de nome "João Desidério", naquela época os correios remuneravam muito mal o seus empregados. E diziam que João Desidério era uma das pessoas mais pobres do Tibagi, ele era na ocasião estafeta. Para quem não sabe, estafeta é aquele indivíduo que faz entrega de correspondência. Vivia assim João, com parcos recursos, trabalhava muito, pois entregava cartas até no Caetê, então distrito de Tibagi, a mais de 80km da sede.

Eis que, também de repente, começou a florescer novamente no rio Tibagi o diamante, a cidade se arvorou, era banda de música, era uma festa só. E aí um baiano que lá ficou, de nome Rogaciano, enviou um telegrama a um compadre que havia mudado para outras plagas com os seguintes dizeres: "Compadre Durães, Tibagi muito bão, venha dormindo, até João Desidério, terno de casimira". Ou seja, mandou que o compadre viesse sem medo, porque a situação estava tão boa que até um pobre como João Desidério vestia terno com tecido nobre.

Quem que redigiu esse texto foi o telegrafista Pedro do Dário, e foi ele que contou aos tibagianos desse telegrama. Eu o conheci quando morei em Tibagi, os dois, sendo que o Pedro foi quem ensinou o Mano a arte do telégrafo. Pedro, morreu há poucos anos, tive o privilégio de conversar com ele várias vezes quando ia a Tibagi. Pedro contava muitas histórias de telegramas muito interessantes que se via obrigado a escrever, haja vista que, naquela época, poucas pessoas sabiam escrever. E aqueles que dominavam a lingua portuguesa enviavam telegramas exagerados. Que foi o caso do Guataçara Borba Carneiro, que recebeu um telegrama de Castro de um agregado seu que foi lá servir o exército e mandou um telegrama ao Guata nos seguintes termos: "Guataçara, mande-me cem contos ou relação cortada!" Guata, respondeu da seguinte forma: "Relação cortada e vá PQP!" e assim corria a vida no velho Tibagi de tantas e tantas histórias, que devagar vou contando. Vou contar qualquer dia uma historia que ocorreu comigo e um parente do meu avô de nome Dewet Taques. Essa é muito boa, e ocorreu poucos dias de sua morte. Mas fica para outra ocasião.

Osmário Matins Ribas

Comentarios

Não há comentários.

Poste seu comentario






Entrar

Busca na Lista telefonica