O Campeiro
Postado: 26 de junho de 2010
Visitantes: 216 Categoria: Causos
por Osmario Martins Ribas
Havia no antigo Caetê lá pelos idos de 50 e até o início
dos anos 60, uma figura folclórica de nome Campeiro, não sei de onde
vinha, mas aparecia de quando em quando no Caetê, e onde chegava era
uma alegria.
Campeiro tinha vários dotes, via sorte e ainda declamava
uns versinhos:
"Quando mecê for embora dê lembranças a Nhá Tereza,
diga
prela que to preso no jardim da Fortaleza,
só quero dormi um sono nos
teus braços, baroneza.
Uma noite dessas, tive um sonho, acordei, dei um
suspiro,
sonhei que fui no céu, desci na terra dar um giro".
E cada
verso cantado vinha aquela risada gostosa, ahahahahah e assim ia o
velho Campeiro contando suas estorias e a gurizada gostava e apreciava
muito suas tiradas filosoficas de velho matreiro. Não pedia esmola,
mas, quando via a sorte além de só falar coisa boa, dizia: "pague o que quiser,
se quiser. Porque você já é rico, se não é rico é remediado e assim por
diante". O verso mais interessante era esse:
"Se inté agora ainda me
lembro daquele dia-santo passado,
quando fui vender meus frangos que
minha mué tinha tratado,
cheguei na cidade, encontrei o fiscá e o
delegado,
o fiscá foi me dizendo, nho moço, teja murtado,
fui descendo
mais pra baixo, encontrei um homem rico do passo entusiamado,
queria
comprá os frangos me pagava dois cruzados,
mais isso mesmo era fiado.
Ja bati lá numa porta, ouvi buia de carçado,
apareceu uma moça bonita
como não tinha encontrado,
queria comprá meus frangos me pagava dois
cruazado,
queria o vermeio e ja cobiçando o pintado,
mocinha me dê um
abraço que te dou os frangos dado,
abraço não posso dar,
um abraço puxa
outro e nois podemos se enrrabixar
e depois de enrrabixado nem Deus
pode apartar."
São essas perolas da vida que encontramos no velho Caetê
e que ficarão eternamente em nossa memoóia. Dos bons tempos de nossas
férias, tanto de inverno quanto de verão que passamos no velho Caetê.
Comentarios
Sueli
28/06/2010 as 03:06
Apesar de não conhecer a maioria das pessoas citadas, me divirto muito com as histórias aqui contadas, que são muitas vezes, engraçadíssimas. Parabéns ao Sr. Osmario e aos demais que partilham conosco essas perolas vividas nos bons tempos do velho Caetê.
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