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O Bar do Clube - anos 50 e 60

Postado: 25 de junho de 2010
Visitantes: 219 Categoria: Causos


por Osmário Martins Ribas

Quando se fala em "Bar do Clube" é bom que se diga que em Curíuva, nas décadas de 50 e 60, era o Clube o único lugar que ficava aberto a noite até alta madrugada. Ali existia um bom ambiente e no Bar havia de tudo para comer, até pastel frito na hora. Aquele ambiente era frequentado pelos jogadores de pife, era o carteado da época. Cada jogador comprava o cacife que era bem alto equivalente a hoje a mais ou menos 500 dólares, o dono do Bar vendia as fichas e bancava o jogo e ganhava a titulo de comissão (barato como se chamava naquela época), 10% do jogo, isso tirado em cada mão. E o responsável pelo Bar fornecia alimento e bebida aos jogadores, que naquele tempo eram sempre os mesmos.

Como aquele pessoal forte do jogo já passaram desta vida para outra melhor, podemos hoje falar o nome dos mesmos: Camilo e os irmãos, Zé Mussi, Bichara,R achid; Zé Abrhão, Ismael Franco, Adolfo Raffo, Javert, esses os principais que jogavam todas as noites. Essa mesa de jogo era fechada, não entravam "perus" como se diz na giria do jogo. Mas havia também uma outra mesa de jogo de caxeta e nessa estava o Mano, Gilberto, João, Paulo, Hélio, Nagibe, Tisca do Moreira, eu também fiz parte dessa mesa e outros que me foge no momento a memória. Por ali na gerência do Bar passaram grandes figuras, lembro bem do Edgard, depois Javert.

Como não havia luz a não ser de lanterna, após veio o motor, mas mesmo esse era desligado por volta das 22:00 horas, assim Curiúva ficava no escuro. Todos andavam de lanterna nas mãos. O Clube era o único lugar que ficava iluminado, pois havia diversas lanternas de "aladin". Desta forma,  todos íamos ao Clube e ali ficávamos até altas madrugadas. Cansei de sair dali com sol raiando, muitas vezes não voltava para casa do meu avô, antes, de medo de passar o riacho que existe até hoje, logo, após a casa do Alfredo Machado. Diziam a nós meninos que ali era assombrado e que em noites escuras aparecia um vulto que nos acompanhava. Certa vêz o Té estava ali no Clube e vendo que eu e o Carlinhos estávamos para sair e ir embora, ele foi na frente, se cobriu com um lençol branco, ficando escondido e quando íamos passando ele apareceu na rua escura e nós, sem lanterna, foi aquele susto e aquele griteiro, eu e Carlinhos correndo como loucos e chegamos em casa quase derrubando a porta, não derrubamos porque a porta nunca era fechada.

Uma coisa que deixei de comentar daqule tempo longínquo, passados 50 anos: não havia brigas, a não ser as vezes no futebol quando o Juiz anulava um gol legitimo. Mas, no Clube, nos bailes, nos carnavais, ninguém brigava, não havia pessoas enturmadas como a hoje em dia, que saem às ruas dispostas a brigar e até´matar. Vejo isso em Castro, e muito aqui na Capital, parece que as pessoas perderam a noção da boa educação e por qualquer motivo estão partindo para brigas violentas. Por essa razão existe tantos homicidios nas cidades grandes e pequenas. Não tenho lembranças de brigas em Curiuva em todos aqueles anos em que ai passava as férias de julho e de dezembro, janeiro e fevereiro. Existia muita alegria, todos se reuniam em torno de uma boa conversa, havia discussões é claro, mas, sempre no bom sentido. A impressão que tenho que as pessoas eram mais educadas e havia mais respeito com o ser humano. E isso se deve em parte as escolas daquela época que ensinava aos meninos e meninas boas maneiras e modo de se portar em todas as situações. Talvez ai esteja a razão dos anos dourados.

Curiúva era assim, tinhamos durante o dia mil coisas a fazer, tais como futebol a tarde, pescaria, e a noite além do Clube e das festas que realizávamos nas casas, faziamos belas serenatas, muitas delas com o Ronald no violão e o Bichara na cantoria, imitando Francisco Alves, Silvio Caldas e por ai vai. Muito diferente de hoje que a juventude tem outros atrativos, existem lanchonetes, ginásio de esportes, CTG etc.etc. Mas, será que essa juventude que hoje tem tudo isso, é mais feliz que a nossa daquele tempo??? É a pergunta que se faz!

Osmario Martins Ribas - Mário (Ou Zé Rodinha)

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