Chaira de Aço Puro
Postado: 28 de junho de 2010
Visitantes: 171 Categoria: Causos
por Osmario Martins Ribas
Lembro-me bem dessa ferramenta de afiar facas, que ficava sempre
pendurada na área que ficava nos fundos da casa velha de meu avô. Lá havia uma
grande mesa com mais de 10 cadeiras e um enorme banco, que se não me
falha a memória, tanto a mesa quanto esse banco estão hoje na casa do
Mano, hoje do Emanoel. Meu avô tinha muito ciumes da velha chaira e
dizia que ganhou do velho Garmatter.
Para quem não sabe, Garmatter foi
o maior açougueiro do Paraná. Naquela época dos anos 20/30/40 e 50 era
o maior comprador de gado que existia no nosso Estado. o Vô contava que
ele matava em torno de 5000 cabeças por mês e fornecia carne a toda
Curitiba e cidades circunvizinhas. Tinha fabrica de linguiças, salames
e outros produtos. Meu Avô, contava que transportava muito gado ao
Garmatter, quando morava em Tibagi. Dizia que ele que era um homem
(alemão) muito sério nos negócios e que pagava tudo muito certo. A dita
chaira ele comprou na Alemanha em uma de suas viagens a terra em que
nasceu e de lá trouxe a ferramenta e presenteou o vô, por isso a razão
de tanto carinho. E, agora para minha alegria, eis que o Gerson me
trouxe, enviado pelo Javert. Fiquei verdadeiramente emocionado, porque
a tive nas mãos várias vezes naquele tempo que o Vô, ajudado pelo Vanto
(nosso Vanto já falecido), ia cedo e lá no quintal em frente ao forno
de lenha que havia, matavam porco e lembro que havia também um grande
tacho ao fogo onde fritavam carne e torresmo. Era uma festança, naquelas
tardes de verão, ficava repleto de gente e todos muito alegres, ria-se
muito. Tudo era festa.
Dizia o Vô que o Wanto era especial. E, era
mesmo, companheiro, leal,amigo. Não desmerecendo outros, mas o Vanto,
o velho João Martins dizia, esse Wanto é farinha de primeira, ou seja
é peneira 18. Eram nessas tardes que naquela velha área ficávamos a
jogar baralho. O Gilberto Fadek, João Batata, Lauro Bino, Julinho Bino, esses devem lembrar
de tudo isso que narrei, porque eles sempre estavam por lá. Bem, a
velha chaira hoje está em meu poder, não sei se por direito ou justiça,
mas fico muito grato ao Javert, por ter lembrado deste seu sobrinho,
que acho eu, nunca o decepcionou em momento algum de nossa convivência,
e olha que foram alguns anos. Agradeço do fundo de minha alma o
presente recebido e vou guardar da mesma forma que o meu avô a
guardava. É uma pena que todos os filhos do Gamatter tenham morrido,
pois, se assim não fosse, entraria em contato com eles para ler o que
aqui está registrado. Futuramente vou contar uma passagem muito
interessante que aconteceu com Garmatter e Manoel Ribas, na época
Interventor do Paraná, na Fazenda Monte Alegre, hoje da Klabin.
Comentarios
Gerson Renato Martins
29/06/2010 as 17:06
"CORREÇÃO"- Realmente essa chaira éra de muita estima de nosso avô João Martins, e quanto ao Vanto - o Barroca - realmente era um cidadão muito especial.
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