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Dona Lilita

Postado: 14 de maio de 2009
Visitantes: 278 Categoria: Homenagem


por Andrea Santos

86 anos, pequena de estatura, frágil compleição, mas de uma vontade ferrenha. Viúva, três filhos adultos, criados, uma porção de netos e uns tantos bisnetos. Ainda ativa, lê diariamente sua Bíblia, a Meditação Diária e estuda a Lição da Escola Sabatina; lúcida, hoje a vejo em sua janela, no primeiro andar de seu sobrado, na esquina na praça, acompanhando o movimento.

Pouco pode se movimentar, devido a um problema de varizes nas pernas, que a faz mancar e caminhar com dificuldade, embora por vezes a veja na porta da rua, apoiadinha, talvez para facilitar a interação com os conhecidos que passam por ali.

A primeira lembrança que tenho dela é me entregando o leite da garrafinha, porque o meu leite, como dizia ela, “é o da garrafinha, o da vaquinha é para as outras pessoas que eu tiro, pode tomar tranqüila, que o teu é diferente, não precisa ter nojo, porque o teu não sai da vaca, não...”

Eu devia ter uns 4 anos, quando  muito, e ia diariamente à sua casa, à antiga, no mesmo lugar onde hoje é o sobrado, buscar meu leite, de manhã.

Qual não foi minha surpresa quando um belo dia, talvez tendo me adiantado, a surpreendi ordenhando uma vaca no quintal; fiz um pampeiro, fiquei com nojo, “como é que eu vou tomar um leite saído da teta de uma vaca” ???

Por sorte que D. Lilita, com toda a sua sabedoria, me convenceu a não deixar de tomar leite, afinal, o meu “era especial”...

O tempo foi passando, e quando já tinha idade para “brigar na praça”, isso mais ou menos dos 7 aos 9 anos, depois das brigas e das ameaças sofridas (quem batia nos outros ia preso pelo “Coletor”), era para a casa dela que corria me esconder até ser escoltada para minha própria casa, e era segurando na sua mão, o melhor salvo conduto que possuía, que conseguia descer toda a antiga rua Afonso Camargo em segurança; afinal, quem era o louco de se meter com a minha “protetora”, pensava eu, confiante ?   

Cresci, fui embora de Curiúva, casei, fui mãe, e escolhi voltar às minhas origens, poder oferecer para minhas filhas um pouco da liberdade e da infância idílica que ali desfrutei, brincando desgrenhada de bicicleta, carrinho de rolimã, subindo em árvore, engolindo lambarizinho vivo para aprender a nadar no rio da pontinha que leva ao Guajuvira.

Conheci Jesus, me entreguei a Ele, me converti, e hoje sei que minha segurança está em Cristo, Aquele que me estendeu a Sua mão e me conduz, meu salvo conduto para a Canaã Celestial, mas confesso que todos os Sábados, ao chegar a nossa Igrejinha, humilde, pequena, com tão poucos membros, é reconfortante para mim ajudar D. Lilita, velhinha, e como diz ela, “precisando de escora” subir os poucos degraus da entrada e ajudá-la a se sentar em seu lugar de costume, no banco ao lado do meu, bem como ouvi-la interpretando a lição, compartilhando um pouco do seu entendimento e sabedoria com o restante dos irmãos, firme, não como uma, mas apoiada Na Rocha que é Jesus.

Ainda hoje se preocupa conosco, seus irmãos, desde os mais novos até os mais velhos, se interessa por todos, quer saber como vão, “puxa alguma orelha” quando preciso, elogia, enfim, é presente em nossas vidas, é um exemplo para nós, em sua caminhada cristã, e é nossa alegria apresentar aos visitantes e irmãos de outras igrejas nossa mais antiga irmã, com 70 anos só de batismo, ainda caminhando firmemente ao lado de Cristo.

Lúcida, a mente ainda afiada para datas e números, foi tesoureira da igreja por vários anos, cargo que exerceu mesmo a contra gosto dos filhos, que se preocupavam com ela, devido à idade e à saúde precária (passou por cirurgia cardíaca ano retrasado), ganhou uns tantos troféus de “Tesoureira Nota 100”, sempre correta e irrepreensível no exercício deste ministério.

E hoje, minha antiga “protetora” é minha irmã em Cristo, e é com muita alegria que sempre que posso converso com ela, apesar do pouco tempo que os afazeres do dia nos permite ter, nem que sejam poucas palavras, as vezes trocadas da janela para a rua, e a sinto como se fosse uma avó, mãe, professora, e ainda minha irmã, um exemplo de fé, coragem e determinação, vindo desta senhora, D. Lilita, 86 anos, pequena de estatura, frágil compleição, mas de uma vontade ferrenha ...
 

         Essa é uma homenagem à minha querida Dona Lilita, com muito amor.
 

                          Andréa Prestes Mayer dos Santos

Comentarios

Camila Borges

10/08/2009 as 19:08

eu conheço a dona lilita e uma pessoa maravilhisa ela me conhece a muito tempo

Uilse

11/06/2009 as 02:06

Andréa, filha! Parabéns pela homenagem à D. Lilita! Ela é, com certeza, uma pessoa especial!

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