e um dia foi Caetê... hoje é Curiúva na internet!
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Entrevista com o Felipão

Postado: 12 de julho de 2002
Visitantes: 197 Categoria: No Soaio da Gaiota


em 2002, Felipão teve a ajuda de Curiúva pra conquistar o Penta.

Os órgãos de imprensa não queriam liberar as duas entrevistas que fizemos com o técnico da seleção brasileira. Mas o próprio Felipão fez questão de exigir que fosse publicada, mostrando toda sua gratidão à Curiúva. Isso mesmo: a copa acabou, todo mundo sabe, o Brasil é penta, o Felipão, outrora chamado de burro, agora é gênio, mas o que ninguém sabe, talvez nem você, curiuvense que está lendo a página, é que tem dedo de Curiúva por trás da tática e da motivação do time.

 

Sempre chegando primeiro, até mesmo da Gazeta do Povo, como aconteceu no caso do cachorro, o Soaio da Gaiota entrevistou o Felipão, por duas vezes, para especular sobre a origem de suas técnicas: uma vez ainda na Coréia (particularmente não gosto do nome “Coréia”; dá uma idéia de coreira, um monte couro tudo arrebentado, e ainda rima com mocréia) e a outra no vôo da alegria, em sua escala em Los Angeles. Subimosno avião rapidinho e fizemos algumas perguntas. A síntese das entrevistas segue abaixo:

Soaio Da Gaiota (SDG): Dizem por aí que para bolar a tática que você vai usar na copa você se inspirou numa cidade do interior do Paraná, é verdade?

Luiz Felipe Scolari (LFS): Bah, tchê! Se é! Vem lá do Caetê Véio, tchê! Tu sabes como é, Curiúva tem uma forte influência gauchesca, tchê! O povo gosta de tomar um chimarrão, tchê!. O churrasco se não fosse de vaca seria o melhor, tinha o Grupo de Dança Chilena de Prata, além é claro dos Reais do Xote, tchê.

SDG: Tudo bem, mas gaúcho fala tanto “tchê” como você tá falando?

LFS: Não, tchê, não fala! Mas como todo mundo imita gaúcho falando “tchê”, e essa entrevista não passa de uma invenção pra encher lingüiça num sitezinho da internet, vamos exagerar então, tchê!

SDG: Tudo bem, tudo bem. Mas, quais são as táticas de Curiúva então?

LFS: Bom, meu fiel assistente Murtosa, também conhecido como Baixinho da Kaiser, esteve em Curiúva nos tempos que o saudoso Brandão era técnico. Já naquela época ele notou alguma coisa especial, pois o time não jogava amistosos, porque todos que o Rosildo Batista marcava o adversário não vinha. Que Deus o tenha também. Além disso, treino, no inverno, começava às 5 e meia e terminava as 6. Mas mesmo assim, o time alcançou expressivos resultados regionais.

Agora, perto da Copa, o Murtosa falou para eu procurar o Latrinha, que era o técnico que vinha se destacando na cidade e já há algum tempo revelando atletas. Liguei na Barrosa, eles me passaram pro Ginásio de Esportes, eu perguntei então qual tática ele estava usando.

SDG: E o que ele respondeu?

LFS: Me disse que o tripé do meio tem que fazer o giro. Fiquei meio sem entender e ele me explicou de novo: É só gritar pro tripé do meio: “Faz o giro, faz o giro”. Continuei não entendendo, mas resolvi pôr em prática mesmo assim. Tá dando certo!

SDG: E quanto à motivação?

LFS: Ara, basta chegar na beira do campo e gritar “Issoooooo”. Aprendi com o Latrinha também, é fantástico.

SDG: Mudando um pouco de assunto,  o que você está achando das surpresas da Copa?

LFS: Isso é uma realidade do futebol. Não tem mais time bobo. Há 20 anos atrás o Cerc ia jogar com o Alecrim e dava de 10. Hoje o Chile é o atual campeão.

SDG: Mas o Chile nem foi pra Copa?

LFS: Não, tchê, é o Chilesberto, atual campeão curiuvense. Mas não é só isso: o Taboão tem apresentado ótimos times, bem como o próprio Alecrim e a Barra Grande. Só a Colômbia que não vai pra frente.

SDG: É, a Colômbia também não foi pra Copa.

LFS: Mas bah, tchê, tu erraste de novo! Não é a Colômbia do narcotráfico e da Shakira. É a Colômbia Dantas, ali entre o Alecrim e o Serrado do Pinto.

SDG: Mas não é Cerrado dos Pinto?

LFS: Bah, tchê, claro que é. Você que é anarfa e escreveu errado, numa clara intenção de fazer alusão ao rótulo que um simpático produtor de mel da região colocou nos rótulos de seus produtos.

SDG: Tá ok. Mas e quanto a Senegal e Japão, o que você está achando?

LFS: Isso só vem mostrar que a comunidade do Guajuvira é descendente de uma região da África bem longe de Senegal, porque olha que o Arrodi treina, treina aquele time da Olaria, mas com tanto guajuviriano no time não tem como ir pra frente. Quanto ao Japão, dei uma conversada com a Édna, do Mercado do Japonês, também, porque o melhor time na atualidade em Curiúva é o dela, e não estou surpreso com o Japão não.

2a. Parte, direto de Los Angeles, já na volta para o Brasil:

SDG: Big Filip, a quem você dedica o Penta?

LFS: Ao povo de Curiúva, claro. Inclusive, se esta fosse a Copa de 86, eu pediria para o avião fazer uma escala por lá, já que naquela época havia o Campo da Aviação. Porém hoje você sabe que metade da cidade mora em cima do Aeroporto, no caso a Vila Esperança. Então, fica pra uma visita a pé mesmo.

SDG: E que time você vai treinar agora, que é um técnico pentacampeão?

LFS: O Botafogo.

SDG: Botafogo do Rio?

LFS: Claro que não, tchê. Botafogo da Barra Grande, lógico.

SDG: Por quê?

LFS: Ora, lá temos dois campos, um de cada lado da rodovia. Tem um até que tem trave de ferro, se eles não a venderam ainda (o Flamengo tá no fundo do poço, mas ainda não precisou vender as traves do campo). Tem o Recanto do Tobias ali perto, não falta jogo, porque dá pra disputar o campeonato de Curiúva e o de Sapopema e, principalmente, porque tem a dona do time que faz uma pamonha trilegal.

SDG: Algum sonho ainda pra realizar?

LFS: Treinar o time municipal de Curiúva, seja o CERC ou um time da prefeitura. Mas é um sonho impossível, porque se atualmente Curiúva não tem nem rua, tem carreiro, e a única opção de prática de esportes , que é o Ginásio, tá caindo aos pedaços, jogar futebol por lá fica na dependência da boa vontade de Latrinhas, de Arrodis e de algum diretor esportivo do Cerc que se aventure a tirar dinheiro do bolso. É triste, mas é a realidade. Enquanto isso, as drogas e a violência já são realidade para a juventude da cidade. Mas isso fica para uma outra reportagem do Soaio da Gaiota, que como grande meio de comunicação que é deve publicar em breve, espero.

SDG: Sim, o Soaio da Gaiota demora, mas chega lá. Obrigado e valeu, Brasil!

 

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