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Lá No Mano

Lá No Mano - 36 Anos de Tradição e Inovação

A Loja Lá No Mano é hoje sinônimo de tradição em Curiúva. Ao longo dos seus 36 anos, nota-se também o espírito inovador que sempre guiou as ações de seus proprietários. Mas nem ao menos na sua primeira compra do novo estabelecimento, com o mais otimista e inovador dos pensamentos, o Seu Mano podia imaginar que sua merceria, 36 anos depois, teria o orgulho de estampar em sua fachada o slogan: "Do ferro de brasa ao computador".

Muitos talvez nem lembrem, até porque talvez nem fossem vivos, mas o Seu Mano foi um dos primeiros comerciantes a acreditar no potencial da Avenida Antônio Cunha. Na época, é inacreditável, mas a cidade terminava no próprio lugar onde ainda hoje se encontra a loja. Tanto que o armazém era conhecido como "último gole".

A variedade de produtos foi aumentando, e o Seu Mano, juntamente com a Dona Cida, sempre procurando oferecer produtos exclusivos, que só eram encontrados lá. Lá? Lá aonde? Lá No Mano! Sim, Lá No Mano. Ciclano estava precisando de um produto, e perguntava a Beltrano onde encontrar. Ele, mais que depressa, respondia: "Vai lá no Mano que você acha". O próprio Mano passou a adotar a denominação. Nada de "Casa Martins" ou "Armazém do Mano". A bodega que sempre fora original, precisava de um nome original. E estava então batizada: Lá No Mano. É impossível que alguém passe por Curiúva e não lembre desse nome.

Porém, muita coisa mudou, foram muitos anos comendo a poeira da rua que viria a se tornar a principal de Curiúva. O asfalto chegou, a cidade cresceu. A empresa (naquela época ainda chamavam de firma), sempre familiar, carecia dos quatro filhos do casal, que sempre ajudaram no ramo de armazém, o qual demanda bastante funcionários. Para orgulho dos proprietários, os filhos foram estudar fora. Quais voltariam depois, isso o tempo iria dizer. E o Seu Mano decidiu mudar de ramo. Não se conformava em vender açúcar abaixo do preço de custo, prática que estava se tornando comum nos primeiros mercados que começavam a surgir. Foi substituindo, aos poucos, o ramo de secos e molhados, por mais ferragens, ferramentas. Comprou o estoque de peças de bicicleta da Dona Maria da Farmácia (sim, ela vendia peças de bicicleta na farmácia) e o resultado foi ótimo. No início, foi preciso que o filho João fizesse um dicionário com os diversos e estranhos nomes que os clientes davam às peças. E a loja foi, por muitos anos, a única opção em Peças de Bicicleta em Curiúva.

O dom para o comércio era a marca do seu Mano, que o transmitiu à sua esposa e filhos. O filho (homem) mais velho, Sílvio, após se formar como veterinário, também entrou para o ramo do comércio, abrindo a Lá No Sílvio (onde será que ele achou esse nome!) Produtos Veterinários, sendo até hoje o único profissional da área em toda a região.

As técnicas de vendas do Seu Mano às vezes eram tão inusitadas que chegavam a ser motivo de brincadeiras e, porque não, até de palestras em faculdade. Quando, mais uma vez inovando, passou a revender os famosíssimos chapéus Cury e Ramenzoni, seu Mano parecia estar realizado. Até porque o chapéu para ele era sua paixão, sua marca, uma necessidade para um homem de qualquer idade ser respeitado. Não raro os fregueses entravam na loja para comprar uma agulha e saíam com um chapéu na cabeça. Colocava o chapéu na cabeça do cliente e já um espelho na sua frente e dizia: "Olha como ficou bom em você". Seu Mano sabia identificar um bom cliente, a até chamava na rua alguém que ele tivesse alguma coisa pra oferecer.

Mas o tempo passou e a vida levou Seu Mano para negociar no céu. Enquanto pôde, mesmo no últimos dias, não deixava de ver como estava a bodega. Sua sucessora, Dona Cida, sempre ao seu lado, não abandonou a loja. O ideal tinha que continuar. Ainda faltava um filho pra se formar.

E a Dona Cida, com unhas e dentes, continuou a inovar. Deu um toque feminino à loja, aumentando a oferta de utilidades domésticas. As panelas de ferro mineiras fizeram (e fazem) muito sucesso, com clientes vindo de longe procurá-las. Até o que não existe as pessoas procuravam na loja, atraídos pela fama de que sempre "Lá No Mano tem". Já teve cliente procurando até chave de cadeado pra vender. Se existisse, teria!

O espírito inovador dos pais passou para mais um filho, Emanoel, que viu a oportunidade de revender suprimentos de informática em Curiúva, dentro da loja da mãe. Desde os 17 anos ele já fazia "bicos" com adesivos e impressos nas férias e nos finais de semana. Ainda cursando a faculdade de Informática, era também uma oportunidade de "medir" o mercado de informática na cidade. O retorno, mais uma vez, foi ótimo. E ele arriscou a promissora carreira na capital para oferecer seus serviços à sua cidade natal, tornando-se sócio na empresa. Nascia a Lá No Mano Infoarte. Se a Lá No Mano "original" já misturava tanta coisa, não custava nada misturar informática com comunicação visual, que não deixa de ser uma arte. Daí o nome: Infoarte.

A Infoarte, assim como a Lá No Mano, foi, aos poucos, tornando-se referência na cidade e na região, sempre procurando oferecer produtos diferenciados e adequados à necessidade de cada um, não se limitando a simplesmente vender computadores. Computador não é como televisão, e necessita de uma assessoria adequada.
Mas a vida, desta vez subitamente, pregou mais uma peça na loja e na família. Dona Cida também foi negociar no balcão do céu. E loja, que resistiu a tantos planos, cruzado, bresser, collor, à falta do fundador e agora da fundadora, como fica? Fica na Avenida Antônio Cunha, 364, de onde não deve sair tão cedo. Os ideais de inovação e perseverança continuam presentes, e o agora único gerente, Emanoel, promete sempre oferecer as melhores novidades pra Curiúva, tanto na Infoarte quanto na Lá No Mano original. Se você não conheça, faça uma visita. Se já conhece, continue contando conosco


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